Sesc Santana estreia ‘O Retorno’, montagem inédita no Brasil do norueguês Fredrik Brattberg

O que Esperar de O Retorno no Sesc Santana

O espetáculo “O Retorno”, que estreia no Sesc Santana no dia 30 de janeiro de 2026, promete ser uma das grandes sensações teatrais do ano. Com uma proposta audaciosa que combina drama e humor ácido, o espetáculo irá abordar questões profundas da dinâmica familiar, utilizando a presença da tecnologia para enriquecer a experiência cênica. Os espectadores podem esperar uma narrativa que desencadeia reflexões sobre a vida e a morte, o que torna essa experiência teatral não só divertida, mas também profundamente impactante.

A peça é um trabalho do dramaturgo norueguês Fredrik Brattberg, cuja obra é reconhecida por sua capacidade de condensar elementos trágicos e cômicos em roteiros envolventes. Ao entrar na sala de teatro, o público será imediatamente imerso em um espaço que mescla o cotidiano ao abstrato, levando a uma jornada emocional intensa e desafiadora.

Um dos principais pontos de interesse do espetáculo é a sua estrutura narrativa. Brattberg desenvolve a história através de repetições que não são meramente repetitivas; cada retorno traz novos questionamentos e reflexões que encorajam o público a repensar as relações familiares. Espera-se que essa técnica provoque um diálogo interno nos espectadores, levando-os a refletir sobre suas próprias concepções de família e luto.

O Retorno

Além disso, o uso inovador de tecnologia no palco promete criar uma experiência visual e auditiva impressionante, que serve como complemento à narrativa e às emoções retratadas. Com um elenco multicultural e dinâmico, a montagem tem tudo para se posicionar como uma referência não apenas na cena teatral de São Paulo, mas também em outras partes do Brasil.

A Direção de José Roberto Jardim

José Roberto Jardim assume a direção desta montagem com a mesma sensibilidade que caracteriza sua carreira. Conhecido por seu trabalho em peças que exploram a complexidade das emoções humanas, Jardim traz uma visão única para “O Retorno”, ao equilibrar momentos de humor e drama. Sua abordagem permite que os atores explorem suas personagens de formas que capturam a essência do texto de Brattberg, enquanto também dão vida a suas próprias interpretações criativas.

Um aspecto a ser destacado deve ser a maneira como Jardim orienta o elenco a interagir com as tecnologias cenográficas. Em um mundo onde as linguagens digitais estão cada vez mais presentes em nossas vidas, Jardim faz um excelente trabalho ao incorporar essas tecnologias ao enredo e ao desenvolvimento dos personagens, permitindo que a tecnologia se torne uma extensão da narrativa e suas emoções.

Além da tecnologia, Jardim é conhecido por provocar novas leituras e interpretações nos atores. Ele desafia a equipe de performance a não apenas atuar, mas a sentir e viver cada emoção e cada cena de modo visceral. Isso visa criar uma atmosfera que ressoe com o público, proporcionando experiências multifacetadas que prendem a atenção e tocam o coração.

A expectativa em torno do trabalho de Jardim em “O Retorno” não é apenas pela excelência que costuma oferecer, mas pela capacidade de fazer o público se questionar sobre o que realmente significa ser parte de uma família nos dias de hoje. Isso eleva “O Retorno” para um patamar que pode render discussões longas e significativas após as cortinas se fecharem.

O Elenco Estelar: Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros

Nesta montagem, o público terá a oportunidade de observar performances excepcionais de atores renomados, como Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros. Ambos são figuras destacadas no cenário teatral brasileiro e trazem uma experiência inestimável e uma profundidade emocional às suas performances.

Helena Ranaldi, com sua vasta trajetória em teatro, televisão e cinema, a trazer uma versatilidade e intensidade ao seu papel. Ela tem se destacado em suas performances emocionais, e sua habilidade de transmitir vulnerabilidade e força a torna perfeita para o papel da mãe que lida com a dor do luto. A expectativa é que sua interpretação traga nuances que permitirão ao público ver a complexidade do processo de luto e a esperança que pode surgir em meio à dor.

Leonardo Medeiros, por sua vez, é um ator com uma habilidade nata para criar personagens que são imediatamente relacionáveis. Seu papel ao lado de Ranaldi como o pai pode evocar reflexões profundas sobre masculinidad e vulnerabilidade nas relações familiares. Medeiros é capaz de transitar entre humor e drama com uma graça natural que seguramente deixará o público emocionado e surpreso.

Outro ponto que merece destaque é a participação de Pedro Waddington, que faz sua estreia teatral ao lado de Ranaldi e Medeiros. Sua jovem energia e talento fresco prometem trazer uma nova dimensão à trama. A interação entre diferentes gerações de atores também se mostrará como uma força propulsora do espetáculo, mostrando como as dinâmicas familiares se entrelaçam ao longo do tempo.

A Trama que Explora o Luto e a Repetição

“O Retorno” é estruturado em torno de uma história que lida com a complexidade do luto. A peça apresenta um casal que, após perder o filho, enfrenta a dor e a dificuldade de seguir em frente. No entanto, a narrativa toma um rumo inesperado quando o menino retorna, desencadeando um ciclo de desaparecimento e reaparecimento que desafia a dinâmica familiar que se estabeleceu após a tragédia.

Esse enredo não apenas coloca o luto em franca exposição, mas também questiona a ideia comum de que o tempo cura todas as feridas. Brattberg utiliza a repetição como um dispositivo narrativo chave, permitindo que os personagens revisitem suas experiências e emoções de novas maneiras. Cada retorno do menino serve como uma oportunidade para explorar diferentes facetas do luto e como ele afeta as relações interpessoais.

Os ciclos de desaparecimento e reaparecimento não são meramente uma mecânica de roteiro; eles ecoam a experiência humana de como lidamos com a perda e como tentamos nos adaptar a ela. Ao fazer isso, Brattberg provoca o público a refletir sobre suas próprias experiências de luto e a natureza efêmera das relações familiares, instigando o espectador a pensar sobre o que realmente significa amar e perder.

Esse aspecto da trama se aproveita da universalidade do luto, permitindo que diferentes públicos vejam seu próprio entendimento sobre a perda refletido na cena. Cada ato pode convidar os espectadores a avaliar suas próprias emoções em relação à morte e à memória, e a maneira como essas experiências moldam a visão individual sobre a vida e a continuidade.



Tecnologia e Teatro: Inovações Cênicas

Um dos aspectos mais inovadores de “O Retorno” é seu uso da tecnologia para contar a história de maneira impactante. O diretor, José Roberto Jardim, junto com o Coletivo Bijari, vai integrar elementos de videografia e projeções ao cenário, criando um espaço cênico dinâmico que transita entre a realidade e o imaginário.

Estes elementos cênicos não servem apenas como suporte visual à história, mas como uma forma de aprofundar a conexão emocional com o público. As projeções, muito bem sincronizadas com o texto e a ação, podem intensificar a sensação de perda e saudade, aumentando a capacidade do público de sentir a dor e a esperança que permeiam a narrativa.

Por exemplo, momentos de apagamento e esvanecimento de imagens podem simbolizar a transitoriedade da vida, enquanto a reintrodução de elementos visuais é um lembrete poderoso da persistência da memória. Essa interatividade com tecnologia permite novas experiências sensoriais, que ampliam a compreensão do que significa “retornar” em múltiplos níveis.

Além disso, o uso de som e luz não é meramente decorativo; cada efeito sonoro e jogada de luz é pensado para ressoar com a cena e contribuir para a atmosfera geral do espetáculo. Isso representa um avanço importante na maneira como a tecnologia pode ser aplicada no teatro, criando uma experiência multifacetada que atrai tanto o espectador emocionalmente quanto intelectualmente.

O Impacto do Humor Ácido na Narrativa

Um dos elementos mais intrigantes de “O Retorno” é a utilização do humor ácido. Enquanto a peça aborda a complexidade do luto, os momentos de humor são cruciais para proporcionar alívio e uma nova perspectiva sobre situações sombrias. Brattberg habilmente entrelaça o humor nos diálogos e nas interações dos personagens, criando um alívio cômico que não diminui a seriedade da situação, mas sim, permite que o público respire entre os momentos de tensão.

A capacidade de rir das desventuras humanas pode servir como uma ferramenta poderosa para a superação e, nesse sentido, o humor ácido pode ser visto como um mecanismo de defesa que ajuda os personagens — e o público — a lidar com a dor. Essa abordagem oferece uma janela única através da qual os espectadores podem assimilar a tragédia, permitindo-lhes reconhecer a complexidade da vida e a inevitabilidade da morte, tudo isso enquanto ainda encontram espaço para o riso.

O humor também levanta importantes discussões sobre a forma como as pessoas lidam com a dor e as memórias. Os momentos cômicos podem provocar mudanças na dinâmica dos relacionamentos e apontar as ironias que aparecem nas interações familiares. Assim, enquanto o público é levado a um profundo estado emocional através da trama, os alívios proporcionados pelo humor fazem com que cada momento seja lembrado de forma significativa e impactante.

O Retorno e as Famílias Contemporâneas

A temática central de “O Retorno” reflete questões relevantes e atuais sobre as famílias contemporâneas. À medida que a sociedade evolui, as dinâmicas familiares se tornam cada vez mais complexas, e a peça de Brattberg aborda essas nuances com sensibilidade e sinceridade. As experiências de luto apresentadas no espetáculo podem reverberar com as realidades de muitas famílias modernas, que enfrentam perdas e mudanças inesperadas, refletindo a fragilidade das ligações que muitas vezes consideramos permanentes.

As interações entre os personagens, imersas em um ciclo de amor e dor, revelam como questões como a comunicação e a compreensão mútua podem ser desafiadoras nas relações familiares. Com a presença do filho que retorna, a peça expõe o desejo humano de manter as relações e a contínua luta entre as expectativas e a realidade. Essa luta se torna um microcosmo de como as famílias contemporâneas frequentemente se encontram em situações semelhantes, onde o que é invisível e não dito molda a essência da conexão.

Além disso, as representações de luto e perda nas famílias contemporâneas geralmente são acompanhadas de questões de mudança e adaptação, refletindo como os membros da família se ajustam ou não a novas estruturas. “O Retorno” permite que o público veja esses desafios e ofereça ao mesmo tempo um espaço para a identificação e a reflexão sobre suas próprias realidades familiares.

Datas e Horários para Não Perder

Os interessados em assistir a “O Retorno” devem ficar atentos às datas e horários da temporada. O espetáculo estará em cartaz de 30 de janeiro a 1º de março de 2026, nos seguintes horários:

  • Sextas e Sábados: 20h
  • Domingos e Feriados: 18h

É recomendável que o público chegue com antecedência para se acomodar e aproveitar toda a jornada teatral que é proposta. Como as apresentações têm um caráter emotivo e reflexivo, isso também comunica a importância de preparar o espírito para a experiência que está prestes a ser vivida.

Com uma narrativa forte e um elenco talentoso, é certo que muitas noites estarão lotadas. Portanto, é interessante planejar a visita com antecedência, garantindo um lugar garantido para esta experiência única.

Ingressos: Preços e Locais de Compra

Os ingressos para o espetáculo “O Retorno” já estão disponíveis para compra e podem ser adquiridos diretamente no site do Sesc Santana. Os preços são acessíveis, visando tornar a cultura acessível a todos os públicos:

  • R$60: Inteira
  • R$30: Meia-entrada
  • R$18: Credencial plena

A compra online é um método rápido e eficaz de garantir seu lugar, mas os ingressos também estão disponíveis na bilheteira do teatro. É importante ressaltar a possibilidade de meia-entrada, ressaltando o compromisso do Sesc com a inclusão e acessibilidade cultural.

Acessibilidade e Inclusão no Espetáculo

Um dos compromissos do Sesc Santana é fornecer uma experiência de teatro acessível a todos. O espaço é adaptado para cadeirantes, garantindo que pessoas com mobilidade reduzida possam participar e desfrutar do espetáculo sem barreiras. Além disso, haverá um intérprete de Libras nas apresentações, assegurando que a comunicação seja efetiva para o público surdo.

A inclusão é fundamental para a experiência teatral, e o Sesc tem se esforçado para dar suporte a essa iniciativa. A acessibilidade dos espaços e a oferta de serviços que favorecem a presença de todos nas atividades culturais são um diferencial que melhora o panorama cultural e garante que as vozes de diversas comunidades sejam ouvidas e compreendidas.

O espetáculo “O Retorno” é mais do que uma simples peça no palco; é uma experiência projetada para tocar corações, instigar diálogos e permitir a reflexão sobre os desafios da vida contemporânea, e é uma oportunidade imperdível para todos aqueles que desejam explorar essas questões em um ambiente acessível e envolvente.



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